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Ensino em tempo integral

Tenho falado e sempre defendido a adoção do ensino em tempo integral no Brasil. Na Câmara, já temos uma Proposta de Emenda à Constituição, a (PEC) 134/07, que prevê esse regime de ensino em todas as escolas públicas do País. No entanto, é preciso lembrar que a melhor maneira seria prever uma escala progressiva de ampliação da jornada, sem obrigatoriedade, para se tornar um modelo educacional mais efetivo.

Atualmente, 1,5% dos alunos brasileiros estão matriculados em regime de ensino integral, cerca de 424 mil alunos. Em 2001, eram 155 mil (0,5%). Para melhorar a qualidade da educação no Brasil, é necessário que se façam vários investimentos. Promover a adaptação dos estabelecimentos de ensino e custear as novas atividades custaria, no mínimo, R$ 20 bilhões, uma média mensal de R$ 2.500 para o custeio. Isso porque tem de oferecer refeição, que inclui o almoço e dois lanches. Além disso, o professor tem de cumprir jornada integral na escola, e, para isso, recebe uma gratificação de 80% do salário.

Não podemos atentar para os gastos, pois a educação é o melhor investimento para o futuro de uma nação. O sistema atual promove um grande desperdício. Há uma distorção idade-série de mais de 50 % em alguns níveis; isso significa que jogamos fora 50% dos recursos aplicados, segundo pesquisa do Núcleo de Estudos Tempo, Espaço e Educação. Outra pesquisa, da Fundação Getúlio Vargas, mostra uma relação comprovada entre maior permanência na escola e os resultados obtidos e ainda conclui que o aumento da jornada escolar diminui o impacto que a desigualdade social provoca entre os alunos.

Em outras palavras o ensino em tempo integral promove melhor qualidade de vida, prepara mais os futuros profissionais e contribui para o desenvolvimento do Brasil. Esse regime de ensino é uma bandeira que devemos carregar sempre.

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